Em 15 de outubro, o Brasil celebra o Dia dos Professores, uma data que remonta ao decreto imperial de 1827, responsável por criar o ensino público no país. No entanto, a lei, assinada pelo imperador Dom Pedro I, estabelecia restrições curiosas, como a proibição de que mulheres ensinassem disciplinas como matemática e geometria.
Segundo o historiador Vicente Martins, professor da Universidade Estadual Vale do Acaraú, a visão predominante na época era de que a matemática era um conhecimento restrito aos homens. As professoras, chamadas de “mestras”, podiam ensinar leitura, escrita e as quatro operações aritméticas, mas eram impedidas de abordar noções mais complexas de geometria. Além disso, eram responsáveis por instruir as alunas em “prendas domésticas”.
O decreto também previa a criação de escolas para meninas, algo incomum para a época. No entanto, essas instituições eram raras, reflexo de uma sociedade que considerava a educação feminina limitada e menos importante que a masculina. Apesar dessas restrições, a lei estipulava que as mulheres deveriam receber o mesmo salário que os homens, um avanço significativo para o século 19.
A data de 15 de outubro foi escolhida como feriado escolar em 1963, através do decreto assinado pelo então presidente João Goulart. Hoje, ela é um momento de reconhecimento e reflexão sobre os avanços e desafios enfrentados pelos professores no Brasil.
































