Com índice de conciliação de 42,68%, a Justiça do Trabalho em Mato Grosso lidera o ranking nacional entre todos os tribunais de todos os segmentos do país. O dado, referente ao período de janeiro a agosto deste ano, consta no painel Justiça em Números, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que reúne estatísticas sobre a atuação dos órgãos do Poder Judiciário brasileiro.
O índice de conciliação alcançado pelo TRT/MT é cerca de quatro vezes superior à média nacional, que está em 11,88% no mesmo período analisado. Esse percentual considera os dados de todos os tribunais do país, incluindo as cortes superiores e os diferentes ramos da Justiça.
Entre os 24 Tribunais Regionais do Trabalho, a Justiça do Trabalho em Mato Grosso também ocupa a liderança. No período analisado, a média de conciliação na Justiça do Trabalho foi de 20,54%.
Crescimento da conciliação
Em 2025, o TRT/MT já havia registrado o maior índice de conciliação entre os tribunais, com 34,32%. Em 2024, o percentual de 26,22% garantiu ao Tribunal a terceira posição, com diferença de apenas 0,5 ponto percentual em relação ao primeiro colocado. O crescimento também pode ser observado no número de audiências conciliatórias realizadas. Em 2024, foram 29.217; em 2025, 34.709; e, até agosto deste ano, 23.687.
Segundo o presidente do Tribunal, desembargador Aguimar Peixoto, o resultado é consequência do compromisso institucional com o fortalecimento de mecanismos para a solução consensual dos processos. “Somos uma Justiça Social e o incentivo à cultura da paz para a resolução de conflitos trabalhistas passou a ser um ideal comum de todas as pessoas que atuam no TRT/MT”, destaca o magistrado.
Qualificação
De acordo com a juíza auxiliar da Presidência, Leda Lima, os dados atuais consolidam uma trajetória iniciada em 2020, quando foram criadas as novas instalações do Centro Judiciário de Métodos Consensuais de Disputa do 1º Grau (Cejusc), que teve a magistrada à frente dos trabalhos.
Em 2022, em um projeto ousado, foi determinado pela presidência que todas as varas do trabalho do Tribunal capacitassem pelo menos um servidor no curso de 100 horas de formação de conciliadores: “Foi um projeto ousado que fizemos. Na época, o então presidente do Tribunal, desembargador Paulo Barrionuevo, em conversa com a equipe do Cejusc, entendeu que a capacitação era a peça-chave para que a conciliação passasse a fazer parte não apenas da cultura de uma unidade, mas de toda a instituição”, revela a juíza.
As varas do trabalho passaram a investir na formação de mais servidores para atuar como conciliadores. Além de apresentar técnicas de negociação e condução de acordos, o curso reforça a importância de uma abordagem humanizada, capaz de estimular o diálogo entre as partes e favorecer a construção conjunta de uma solução consensual.
Com o avanço da iniciativa, surgiram espaços em várias unidades do 1º grau destinados às conciliações, o que também ampliou o interesse dos juízes pela qualificação na área. “Todas essas medidas se somaram em um esforço coletivo que hoje se traduz nos resultados alcançados pelo Tribunal”, ressalta a juíza Leda Lima.
































