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    Dados do Inpe Apontam que Mato Grosso Lidera Focos de Incêndio no Brasil em 2024

    Queimadas devastam o Pantanal mato-grossense — Foto: Amanda Perobelli/Reuters

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    Mato Grosso enfrenta uma das piores crises ambientais de sua história recente. Com cerca de 3 milhões de hectares devastados pelo fogo desde o início do ano, o estado lidera o ranking nacional de focos de incêndio em 2024, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Somente em agosto, foram registrados mais de 13,6 mil focos, superando os números acumulados de janeiro a julho. A situação é tão grave que o governo estadual decretou, em 30 de agosto, estado de emergência por 180 dias, em resposta à seca severa e à escalada dos incêndios florestais.

     

    A Terra Indígena Capoto Jarina, no Parque Nacional do Xingu, é um dos locais mais afetados. A 692 km de Cuiabá, essa área de 635 mil hectares conta com apenas 42 brigadistas para combater o fogo descontrolado. A insuficiência de recursos humanos para enfrentar as chamas é alarmante, considerando a vastidão da área e a densidade da floresta. “Estamos em uma batalha desigual”, afirma um dos brigadistas anônimos que atuam na região. “O fogo avança rapidamente e nossos recursos são limitados.”

     

    No Cerrado, o município de Itiquira, a 359 km da capital, vive dias de terror com as queimadas. Um incêndio de grandes proporções, ocorrido há cinco dias, devastou um canavial, cobrindo a cidade com uma densa camada de fumaça. “Aqui, cada dia é uma luta para proteger nossas casas e nossas vidas”, relata Maria dos Santos, uma moradora local que vê, ano após ano, sua cidade sendo engolida pelas chamas.

     

    No entanto, o Pantanal emerge como o bioma mais vulnerável. A seca severa, que deixou os rios em níveis extremamente baixos, é um dos fatores que potencializa a propagação das queimadas. A Reserva Particular do Patrimônio Natural do Sesc Pantanal, em Barão de Melgaço, foi uma das áreas recentemente afetadas, com uma parte significativa de sua vegetação destruída. Gustavo Figueirôa, biólogo e diretor de comunicação do Instituto S.O.S Pantanal, alerta: “Mais de 550 mil hectares foram devastados só no Pantanal mato-grossense. A biodiversidade está em risco.”

     

    A Chapada dos Guimarães, famosa por suas belezas naturais e um dos principais destinos turísticos de Mato Grosso, também sofre com a crise. Dois grandes focos de incêndio, na última sexta-feira (30), destruíram cerca de 10 mil hectares e ameaçaram o Parque Nacional da região. O mirante do Morro São Jerônimo, um dos pontos turísticos mais conhecidos, foi fechado devido ao avanço das chamas. “Estamos diante de uma situação sem precedentes”, afirmou um representante do Corpo de Bombeiros, que atua na área com apoio de brigadistas e aeronaves.

     

    Segundo a WWF Brasil, o número de focos de incêndio na Amazônia é o maior desde 2004. Embora o desmatamento tenha mostrado uma redução de 21,8% entre 2022 e 2023, o uso do fogo para “limpar” áreas desmatadas continua a ser uma prática comum, agravando a situação. No Pantanal, a combinação de seca, ventos fortes e altas temperaturas cria um cenário perfeito para a disseminação descontrolada das queimadas.

     

    O decreto de emergência, assinado pelo governador, permite ações rápidas, como a aquisição de equipamentos sem necessidade de licitação, e o reconhecimento federal da situação, essencial para a liberação de recursos. Até o momento, 15 municípios já decretaram emergência, e as equipes de combate ao fogo, incluindo 169 bombeiros e brigadistas, lutam para conter os mais de 27 focos ativos no estado.

     

     

    A situação em Mato Grosso é um alerta para o país. Com mais de 1,6 milhão de hectares devastados somente em agosto, a crise das queimadas no estado não é apenas uma questão local, mas um desafio nacional e global. A perda de biodiversidade, o impacto sobre as comunidades locais e a destruição de áreas turísticas emblemáticas como a Chapada dos Guimarães são sinais de que medidas urgentes e eficazes precisam ser implementadas. “Estamos correndo contra o tempo, mas o futuro do Pantanal, do Cerrado e da Amazônia depende das nossas ações agora”, conclui Gustavo Figueirôa.

     

     

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