
Na segunda parte da série de matérias sobre a expedição documental “Mel da Floresta-Xingu”, adentramos ainda mais no universo dos Ikpeng, uma etnia indígena que preserva suas tradições milenares na região do Xingu. Nesta etapa, exploramos os saberes e práticas que moldam a vida cotidiana dos Ikpeng, evidenciando sua conexão profunda com a natureza, suas formas de educação e transmissão de conhecimento, bem como suas tradições artísticas.

A Conexão com a Natureza:
Os Ikpeng vivem em harmonia com a natureza ao seu redor. Os homens caçam e pescam, e as mulheres coletam frutas e sementes, cuidam da roça de mandioca, fazem o biju e artesanato de esteiras, colares, bolsas, entre outros objetos de uso comum no dia-a-dia da aldeia. É muito trabalho, que começa antes do nascer do sol, porém quando escurece, as famílias se recolhem em suas casas.
Durante a expedição, a equipe de filmagem pôde acompanhar também a captura de abelhas e a prática da apicultura desenvolvida pelas comunidades indígenas. Essa atividade não só proporciona uma fonte de renda sustentável, mas também demonstra a relação íntima dos Ikpeng com o ambiente natural e sua compreensão dos ciclos da vida.
A apicultura desempenha um papel significativo na vida da comunidade do Xingu, proporcionando não apenas o mel, mas também diversos benefícios econômicos, sociais e ambientais. Com o método do recuo, os indígenas têm a habilidade de coletar o mel de forma sustentável, garantindo a preservação das colmeias e o equilíbrio ecológico da região.

Transmissão de Conhecimento:
Uma das facetas mais interessantes da cultura Ikpeng é sua forma de educação e transmissão de conhecimento. Os Ikpeng valorizam a aprendizagem através da observação, da prática e da convivência com os mais velhos. Durante nossa estadia na aldeia Arayó, testemunhamos o cuidado e a dedicação dos mais velhos ao compartilhar histórias, lendas e habilidades tradicionais com as crianças e jovens. Esse processo de ensino-aprendizagem fortalece os laços comunitários e preserva o legado cultural dos Ikpeng.
O idioma Karib, falado pela etnia, está em extinção, com aproximadamente 600 indivíduos falantes, portanto, a preservação da cultura e transmissão do conhecimento são fatores de grande importância para a aldeia. Alguns membros da comunidade também puderam aprofundar seus estudos e desenvolveram teses de mestrado e doutorado sobre seus saberes e culturas.

Artes e Expressão:
A expressão artística também desempenha um papel fundamental na cultura Ikpeng. Foram presenciadas cenas de pintura corporal, danças rituais e outras formas de manifestação artística, que revelam a riqueza estética e simbólica dessa comunidade. As cores vibrantes e os desenhos tradicionais presentes na pintura corporal refletem a identidade e a espiritualidade dos Ikpeng, transmitindo mensagens e significados profundos.
A Professora Clarice Sauressig e sua Luta pela Apicultura:
Destaca-se também o trabalho inspirador da professora Clarice Sauressig, uma apicultora que se dedica a fomentar a apicultura como uma fonte de renda sustentável para os indígenas, especialmente os Ikpeng. Sua incansável busca por promover o desenvolvimento econômico em harmonia com a preservação ambiental e a manutenção das tradições culturais tem sido fundamental para garantir um futuro sustentável para as comunidades indígenas na região.
A professora Clarice surpreendeu toda a equipe durante as gravações com sua valentia e integração com a floresta. Ela disse, “se eu olho e acho que é perigoso para o indígena subir em uma árvore atrás das abelhas, quem sobe sou eu, eu faço a ponteira”, quando explicava sua relação como professora das comunidades indígenas na produção do mel.

A imersão na cultura Ikpeng revelou a magnitude dos saberes e práticas que permeiam suas vidas. A conexão com a natureza, a transmissão de conhecimento, as expressões artísticas e os esforços para desenvolver atividades sustentáveis são pilares fundamentais dessa comunidade resiliente. O documentário “Mel da Floresta-Xingu” tem o privilégio de capturar esses momentos preciosos, trazendo ao público uma visão profunda e autêntica da cultura Ikpeng.
Fiquem atentos para mais atualizações sobre essa emocionante expedição no Xingu que culminará no documentário ‘Mel da Floresta-Xingu’, contemplado pelo edital audiovisual de fomento da Secel-MT.
Nota do editor: Este é o segundo artigo de uma série que acompanhará a produção do documentário “Mel da Floresta-Xingu” e a imersão na cultura Ikpeng. Acompanhe nossas próximas matérias para mergulhar ainda mais nessa incrível jornada.
Conheça mais sobre este incrível trabalho no primeiro artigo da série:
Em busca do Mel da Floresta-Xingu: Uma jornada de descoberta na aldeia Ikpeng




























