Pelo menos quatro casos de violência contra a mulher foram registrados em Mato Grosso em menos de 24 horas entre sábado (30) e domingo (31), durante o feriado de Páscoa. O que deveria ser um período de paz e celebração familiar tornou-se uma sucessão de tragédias, evidenciando uma realidade alarmante de agressões físicas e psicológicas enfrentadas por mulheres na região.
No sábado (15), em Cuiabá, vizinhos acionaram a polícia após uma mulher pedir socorro. O conflito entre a vítima e seu parceiro, que resultou em agressões físicas e danos ao celular da vítima, destacou um relacionamento marcado por tensões. Mesmo diante de um histórico de desgaste na relação, a mulher enfrentava ameaças do agressor, evidenciando a complexidade e o medo que muitas mulheres enfrentam ao tentar escapar de situações abusivas.
Na madrugada de domingo (31), um caso chocante ocorreu em Cuiabá, quando um homem foi detido após agredir sua parceira, sendo impedido por transeuntes que testemunharam as agressões. O episódio ressalta não apenas a violência sofrida pela vítima, mas também o papel crucial da comunidade em intervir e proteger mulheres em situações de perigo.
Em Água Boa, uma mulher foi agredida por seu ex-companheiro após uma discussão motivada por uma mensagem em seu celular. O ataque, mais uma vez, ilustra como o controle e a posse sobre as mulheres são frequentemente justificados como motivo para violência.
Em Confresa, uma jovem solicitou medidas protetivas após ser agredida em um hotel. O caso destaca como ambientes públicos não estão imunes à violência contra a mulher, evidenciando a necessidade de medidas de segurança e prevenção em espaços sociais.
Esses incidentes ocorrem em um contexto preocupante em Mato Grosso, onde os números de feminicídio têm aumentado consistentemente e já ocupa a primeira posição em taxa de feminicídios no país. Em 2023, o estado registrou uma média de quatro mortes de mulheres por mês, um aumento de 11% em relação ao ano anterior. A subnotificação e a falta de medidas eficazes para proteger as vítimas contribuem para essa realidade alarmante.
Mulheres influentes do estado têm se manifestado exigindo mudanças na legislação, incluindo a prisão perpétua para feminicidas. A senadora Margareth Buzetti expressou sua indignação diante de mais um caso brutal, afirmando: “É urgente a mudança no código penal brasileiro! Espero que os deputados tenham sensibilidade e aprovem meu Projeto de Lei do pacote anti-feminicídio, que já está na Câmara.”
A primeira-dama de MT, Virginia Mendes, também se pronunciou, ressaltando a urgência das mudanças: “É urgente essa mudança senadora, aproveito para pedir esforço para que a gente coloque a prisão perpétua em pauta. Não dá para aceitar essa crueldade que vem acontecendo.”
A deputada Janaina Riva reforçou o apelo por uma ação decisiva do legislativo: “Marga, seja a pioneira em solicitar uma nova constituinte sobre o tema! Estamos com você e felizes de ver que você está conosco! Vamos colocar o senador e o congresso no olho do furacão para a mudança da legislação. Precisamos mais do que nunca de você! Obrigada pelos avanços e vamos buscar mais!”
A violência contra a mulher é um problema sistêmico que exige uma resposta coordenada da sociedade, das instituições e do poder público. Além das medidas legais, é fundamental fortalecer serviços de apoio e acolhimento às vítimas, bem como promover uma cultura de respeito e igualdade de gênero em todas as esferas da sociedade.
Diante desse cenário, é essencial que denúncias de violência sejam feitas e que as vítimas recebam o suporte necessário para romper o ciclo de abuso. Serviços como o telefone 180 e as delegacias especializadas estão disponíveis para oferecer assistência e proteção às mulheres em situação de violência.































